Ainda não falei muito sobre isso nos meus artigos anteriores, mas este road trip no Yucatán foi também, claro, a oportunidade de descobrir sítios maias, como o famoso Chichen Itza, ou ainda as ruínas de Tulum… Mas também tínhamos vontade de ver lugares menos conhecidos… E foi com essa ideia em mente que escolhemos visitar Calakmul. Um sítio arqueológico onde poucos turistas se aventuram, situado mesmo no meio de uma selva densa, na fronteira com a Guatemala. Não foi preciso mais para nos convencer! Por isso, deixamos Bacalar ao fim do dia, em direção à pequena aldeia de Conhuas, para descobrir Calakmul logo pela manhã no dia seguinte.

✤✤✤
Onde fica Calakmul no México?
Calakmul fica no estado de Campeche, no sul da península do Yucatán, muito perto da fronteira com a Guatemala. O sítio arqueológico está escondido no coração da reserva da biosfera de Calakmul, uma das maiores áreas protegidas do México.
Para visitar Calakmul, é geralmente necessário ficar alojado em Xpujil, a pequena cidade mais próxima. A partir daí, conte com cerca de 60 km de estrada através da selva até chegar à entrada do sítio. Esta longa travessia em plena natureza faz, aliás, parte integrante da experiência: aqui, estamos longe dos sítios maias muito turísticos como Chichén Itzá.
Isolado, selvagem e rodeado por uma floresta tropical densa, Calakmul é hoje considerado um dos sítios arqueológicos maias mais impressionantes e mais bem preservados do México — e foi exatamente por essa razão que o escolhemos.
Calakmul no México: cidade maia e reserva da biosfera
Calakmul é uma das maiores e mais poderosas cidades maias descobertas até hoje. Fica no coração da reserva da biosfera com o mesmo nome, que se estende por mais de 7 200 km² no estado de Campeche. Situada longe das grandes zonas turísticas — a cerca de 445 km de Tulum e 300 km da cidade de Campeche — continua a ser muito menos visitada do que outros sítios maias do Yucatán.
Classificada como Património Mundial da UNESCO, Calakmul distingue-se pelo seu duplo estatuto único: grande sítio arqueológico e imensa floresta tropical protegida. Esta combinação excecional faz dele um dos raros lugares no mundo reconhecidos tanto pelo seu valor cultural como natural.
Habitada durante mais de mil anos, a cidade foi depois abandonada e engolida pela vegetação. Apelidada de «Reino da Serpente», terá acolhido cerca de 50 000 habitantes no seu apogeu. Uma das suas pirâmides atinge 45 metros de altura, o que a torna uma das mais altas de toda a civilização maia.
Descoberto apenas nos anos 1930, o sítio continua hoje a ser um imenso campo de investigação arqueológica. Existem cerca de 1 000 estruturas no coração do sítio, e mais de 6 000 em toda a zona. A reserva alberga também uma biodiversidade excecional, com numerosas espécies de mamíferos, aves e uma flora tropical muito rica.





Visitar Calakmul: relato e desenrolar da visita
Para aproveitar ao máximo o dia, organizámo-nos bem para estar no parque o mais cedo possível. É importante saber que, quanto mais cedo chegam, maiores são as hipóteses de ver animais, e também evitam o calor forte do meio do dia. Por isso, escolhemos um alojamento mesmo ao lado da reserva de Calakmul para lá estarmos assim que abrisse.
Despertar e estrada
Na véspera, o nosso anfitrião perguntou-nos a que horas queríamos tomar o pequeno-almoço: 5h30! Despertar às 5h, preparamo-nos rapidamente, tomamos o pequeno-almoço e depois deixamos o quarto. O nosso alojamento (falamos dele no fim do artigo) fica apenas a alguns quilómetros da única estrada que leva à reserva, e está muito bem indicado. Primeira “barreira”, temos de pagar 50 pesos, a estrada não está nada má no início… Numa segunda barreira pagamos 72 pesos e a estrada começa a degradar-se. Seguimos então mais ou menos a 30km/h, porque além de estar em mau estado, vamos atentos para o caso de algum animal aparecer do nada. Bom, acabo já com o suspense desde o início: não tivemos a sorte de ver a estrela do parque, o famoso jaguar… Mas cruzámo-nos com pavões e perdizes antes de chegar ao sítio… Como vos dizíamos, estávamos lá ao nascer do dia e, mesmo assim, fomos ultrapassados várias vezes, sobretudo por scooters… Sabendo que os veículos assustam os animais, acho que deve ser quase impossível cruzar-se com animais grandes na estrada… Chegámos ao estacionamento da reserva por volta das 8h30 e, desta vez, pagámos o nosso bilhete de entrada no parque: 75 pesos.
Somos recebidos por um barulho estranho, e o meu espírito de citadina faz-me pensar num martelo pneumático ou sei lá que outra ferramenta….Mas afinal é mesmo um magnífico pica-pau ali mesmo por cima das nossas cabeças… Enchemo-nos de repelente anti-mosquitos e lá vamos nós!!




Passeio e subidas na reserva
Mal entramos no sítio, decidimos seguir um dos itinerários que nos leva diretamente às pirâmides principais. Como há pouca gente no local, pensamos que é uma boa estratégia… E então, ouvimos uns rugidos incríveis do outro lado do sítio… Demoramos algum tempo a perceber que se trata de macacos-uivadores…. Decidimos continuar o nosso itinerário, pensando que os veríamos mais tarde… Deambulamos entre as ruínas, descobrimos as várias estruturas, lemos as explicações, e rapidamente deixamos de seguir realmente o percurso inicial… Depois ficamos frente a frente com as diferentes “pirâmides”, que nos apressamos a subir! Não há palavras, é simplesmente incrível estar lá em cima e ver diante de nós esta selva densa a perder de vista. Na reserva de Calakmul, há 3 pirâmides muito altas e impressionantes, o resto são estruturas de menor dimensão. São cerca de 13h quando terminamos de explorar o sítio… Ficamos por ali mais um pouco para nos darmos uma hipótese de ver os macacos-uivadores… Mas nada acontece… Ao sair, cruzamo-nos com alguns macacos-aranha que já tínhamos visto alguns dias antes no sítio de Punta Laguna…








Estamos tão desiludidos… E depois… Estamos no caminho para a saída quando … Grrrrrrr! Ouvimo-los de novo!!! Ahhhhhhhhh! Ainda me vejo a acelerar como louca para ir vê-los…. Há dezenas e dezenas deles … Uauhhhh! Estamos como crianças! É mágico ver animais assim, e ainda mais no seu elemento natural… Balançam-se de ramo em ramo, “rugem” de um lado para o outro…. Este momento ficará gravado para sempre nas nossas memórias…. Sem dúvida!










Deixamos a reserva de Calakmul com estrelas nos olhos… Custa-nos deixar os macacos-uivadores, mas a estrada é longa, e temos outro “encontro” antes de deixar a região… Encontramos um restaurante sem grandes pretensões na estrada principal. Sentamo-nos rapidamente, devem ser 15h30.
A gruta dos morcegos
Não muito longe da reserva, há uma gruta um pouco especial que não se deve perder… Todos os dias, por volta das 17h, milhares de morcegos saem dela num voo espetacular. Ao que parece, este fenómeno só acontece em 2 lugares no planeta: no Yucatán e na Malásia, por isso, claro, não queríamos perder isso! Ao sair da reserva de Calakmul, é preciso seguir em direção a Bacalar, e por volta do km 106 há um caminho à esquerda. No nosso caso, encontrámos logo, porque já havia carros estacionados no caminho. Há também um painel “atenção morcegos” na beira da estrada, que vos indicará que estão no sítio certo!
Estacionamos e caminhamos por um pequeno trilho de terra durante 5/10 minutos, antes de chegar diante de “um abismo”, com… cerca de vinte pessoas já no local. Encontramos um cantinho e esperamos. Quando o sol começa a baixar, eles começam a sair, um a um, e depois são milhares de morcegos a esvoaçar por todo o lado! É completamente louco! As fotografias não fazem mesmo justiça a este momento. É difícil fotografar estes bichinhos!






Depois deste dia cheio de emoções, seguimos estrada fora em direção a Campeche, mas isso já é outra história …
Informações práticas para visitar Calakmul
Onde dormir perto de Calakmul?
➺ Passámos a noite em Conhuas num alojamento chamado cabanes Calakmul: experiência insólita garantida! Uma cabana de madeira, um pouco simples, sem janelas, mas muito limpa, com tudo o essencial: uma boa cama, mosquiteiro, água quente e, como bónus, um bom restaurante no local. Está sobretudo idealmente situada para visitar a reserva de Calakmul, e os proprietários são adoráveis. Recomendamos!


Onde comer nos arredores de Calakmul?
➺ Para o jantar e o pequeno-almoço, ficámos no restaurante do nosso alojamento. Conhuas é uma cidade muito pequena e, embora haja outros restaurantes, achámos muito mais prático assim. Além disso, como vos dizia um pouco mais acima no artigo, o proprietário sabe que a maioria das pessoas parte cedo para explorar Calakmul, e não há qualquer problema em tomar o pequeno-almoço de madrugada.
➺ Para a visita à reserva, levámos sobretudo água e algumas palenquetas, pequenos snacks yucatecos para petiscar. (Podem descobri-los no nosso artigo sobre a cozinha mexicana).
➺ Também fizemos uma refeição “rápida” num restaurante situado na estrada principal ao sair da reserva. Por volta das 15h30, já não tinha grande coisa, estava bom, sem mais, e não consigo encontrar o nome… Desculpem!
Como chegar a Calakmul?
Para esta viagem ao Yucatán, tínhamos um carro alugado. Chegámos de Bacalar ao fim do dia e partimos de Calakmul em direção a Campeche por volta das 17h30. Tínhamos lido que a estrada Bacalar – Escacega era bastante perigosa, muito controlada pela polícia por estar perto da fronteira com a Guatemala, etc. Também é desaconselhado conduzir à noite no México, mas queríamos ganhar tempo e estar em Campeche nessa mesma noite. Por isso, decidimos seguir estrada apesar da hora tardia, e correu tudo muito bem! Vimos bastantes controlos rodoviários, é verdade, mas eram sobretudo militares que paravam os camiões.
No momento, dissemos “bom, afinal está tudo normal”, mas, olhando para trás, pensamos que devemos ter tido sorte, ah ah! De facto, 3 dias mais tarde, fomos enganados em grande pela polícia corrupta em Campeche! Conto-vos isso no artigo dedicado à cidade, porque parece que é algo recorrente por lá!
/!\ Atenção, não há muitas bombas de gasolina na zona, por isso convém abastecer bem antes de chegar para ficarem descansados.
➺ A partir da entrada na estrada principal (estrada 186), é preciso cerca de 1h30 até chegar ao estacionamento do sítio arqueológico.
Dentro do parque, há uma placa com os diferentes itinerários e estruturas principais. Tirámos-lhe uma fotografia e orientávamo-nos assim no início.
Também podem escolher uma excursão organizada com partida de Bacalar, por exemplo!

FAQ – Tudo o que precisa de saber para visitar Calakmul
Quanto custa a entrada em Calakmul?
A entrada no sítio de Calakmul inclui geralmente três taxas distintas: o acesso à reserva da biosfera, a entrada no sítio arqueológico e uma taxa local. No total, conte com cerca de 400 pesos por pessoa (ou seja, cerca de 20 €). O pagamento é feito no local, em dinheiro.
É possível visitar Calakmul sem tour organizado?
Sim, é perfeitamente possível visitar Calakmul sem excursão organizada. A maioria dos viajantes chega lá de carro alugado a partir de Xpujil. A estrada é fácil mas longa: é preciso percorrer cerca de 60 km de pista através da selva para chegar às ruínas. No entanto, um tour pode ser prático se não tiver veículo.
Qual é a melhor hora para visitar o sítio?
O melhor momento para visitar Calakmul é cedo de manhã, logo à abertura. Está mais fresco, a luz é magnífica para fotografias e terá mais hipóteses de observar animais. A tarde pode ser muito quente e húmida, com menos atividade animal.
É preciso guia para Calakmul?
Um guia não é obrigatório, pois o sítio é fácil de visitar de forma autónoma graças aos painéis explicativos. Nós fizemo-lo sem guia. No entanto, se voltássemos a fazer, provavelmente contrataríamos um guia local: isso enriquece claramente a visita: ele explicará a história maia, as rivalidades com Tikal e também poderá ajudar a identificar a fauna na selva.
✤✤✤
Não nos arrependemos nem por um minuto da estrada feita para ir visitar a reserva de Calakmul! O sítio arqueológico é grandioso, a selva densa, e tivemos belos encontros com animais! Já tinham ouvido falar deste sítio? Se tiverem perguntas, não hesitem em deixar-nos um pequeno comentário!
