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Visitar Calakmul: no coração da selva mexicana

Ainda não falei muito disso nos artigos anteriores, mas esta road trip pelo Yucatán foi também, claro, a oportunidade de descobrir sítios maias, como o famoso Chichén Itzá ou as ruínas de Tulum… Mas tínhamos vontade de ver lugares menos conhecidos… E foi com essa ideia na cabeça que decidimos visitar Calakmul. Um sítio arqueológico onde poucos turistas se aventuram, no meio de uma selva densa, junto à fronteira com a Guatemala. Não foi preciso mais para nos convencer!

Saímos de Bacalar ao fim do dia, em direção à pequena aldeia de Conhuás, para chegar a Calakmul logo à primeira hora no dia seguinte. E digo-vos já: foi a visita que mais nos marcou em toda a viagem.

Neste artigo encontram tudo o que é preciso saber para organizar a visita (preços atualizados, horários, acessos, onde dormir) e, claro, o relato do nosso dia por lá, macacos uivadores incluídos!

✤✤✤

O essencial em 30 segundos

Estão com pressa? Aqui fica o resumo do que é preciso reter antes de partir:

🌿 O essencial📌 O que reter
Onde fica?Estado de Campeche, sul do Iucatão, junto à fronteira com a Guatemala
Base de apoioXpujil (todos os serviços) ou Conhuás (mais perto da entrada)
Distância~110 km desde Xpujil, dos quais 60 km de estrada estreita pela selva
Preço 2026Cerca de 500 pesos por pessoa (3 pagamentos separados, só em dinheiro)
HoráriosChegada obrigatoriamente de manhã, as guaritas fecham ao início da tarde
Duração da visita4 a 5 h no sítio, um dia inteiro contando com a viagem
Melhor alturaLogo à abertura, pelos animais e pelo fresco
É preciso guia?Não é obrigatório no sítio, mas hoje faríamos de outra forma
A nossa opiniãoA melhor memória do Iucatão, mas exige esforço!

Onde fica Calakmul no México?

Calakmul situa-se no estado de Campeche, no sul da península do Yucatán (Iucatão, em bom português), muito perto da fronteira com a Guatemala. O sítio arqueológico fica no coração da reserva da biosfera com o mesmo nome, uma das maiores áreas protegidas do México.

Atenção a um pormenor que confunde muita gente (e eu própria caí nessa no início): Calakmul são três coisas diferentes. O sítio arqueológico, a reserva da biosfera à volta e o município com o mesmo nome, cuja sede é Xpujil. Quando vos dizem «dormimos em Calakmul», falam da região, não das ruínas!

A maioria dos viajantes instala-se em Xpujil, a última aldeia com bombas de gasolina, multibanco, restaurantes e alojamento. A partir daí ainda faltam 110 km até às ruínas: cerca de cinquenta quilómetros pela estrada federal 186 até ao entroncamento do km 97 e, depois, 60 km de estrada estreita através da selva. Nós preferimos dormir ainda mais perto, em Conhuás, para ganhar minutos preciosos de manhã.

Esta longa travessia em plena natureza faz parte da experiência: aqui estamos muito longe dos sítios maias super turísticos como Chichén Itzá.

Calakmul: mapa e planta do sítio

➺ Para se orientarem no mapa: o desvio para Calakmul faz-se no km 97 da estrada federal 186, entre Escárcega e Chetumal. É a única entrada. A aldeia de Conhuás fica mesmo aí e o sítio arqueológico 60 km mais a sul, no fim da estrada.

➺ Para se orientarem no sítio: à entrada do parque há um painel grande com os vários percursos e as estruturas principais. Fotografámo-lo com o telemóvel e foi assim que nos orientámos a manhã toda — aconselho vivamente que façam o mesmo, não há rede nem mapas em papel.

O sítio percorre-se em circuito, com um caminho curto (cerca de 2 km) e um caminho longo que permite ver mais estruturas. Contem 4 a 5 horas para dar a volta com calma e subir às pirâmides.

Calakmul, cidade maia e reserva da biosfera

Calakmul é uma das maiores e mais poderosas cidades maias descobertas até hoje. Fica no coração da reserva da biosfera homónima, que se estende por mais de 7 200 km² no estado de Campeche. Longe das grandes zonas turísticas — a cerca de 445 km de Tulum e 300 km da cidade de Campeche — continua bem menos visitada do que outros sítios maias do Yucatán.

Classificada como Património Mundial da UNESCO, Calakmul distingue-se pelo seu estatuto duplo: sítio arqueológico maior e, ao mesmo tempo, imensa floresta tropical protegida. Esta combinação faz dela um dos raros lugares do mundo reconhecidos simultaneamente pelo valor cultural e natural.

Habitada durante mais de mil anos, a cidade foi depois abandonada e engolida pela vegetação. Apelidada de «Reino da Serpente», terá chegado a albergar quase 50 000 habitantes no seu auge e foi a grande rival de Tikal, do outro lado da fronteira guatemalteca. Uma história de guerras, alianças e traições entre duas superpotências maias… Dá outro sabor à visita quando se sabe disto!

Descoberto apenas nos anos 1930, o sítio continua a ser um enorme campo de investigação arqueológica. Estão identificadas cerca de 1 000 estruturas no núcleo e mais de 6 000 em toda a zona. A reserva abriga também uma biodiversidade excecional, com muitas espécies de mamíferos e aves e uma flora tropical riquíssima.

Vale a pena visitar Calakmul? A nossa opinião

É a pergunta que nos fazem mais vezes, por isso vou ser muito honesta convosco. Sim, mil vezes sim — mas não para toda a gente.

O que adorámos

➺ O silêncio e a solidão. Cruzámo-nos com uma dezena de pessoas durante toda a manhã. Em Chichén Itzá andamos uns por cima dos outros. Aqui tivemos a sensação de estar a descobrir o sítio.

➺ Ainda se pode subir às pirâmides! Tornou-se muito raro no México. Estar lá em cima, diante daquela selva densa a perder de vista, com os topos de outras pirâmides a espreitar acima das copas… não há palavras.

➺ Os animais. Macacos uivadores, macacos-aranha, aves, tucanos… A reserva faz mesmo parte da visita, não é só cenário.

➺ O ambiente de exploração. A estrada, a selva, as raízes a devorar as pedras: sentimo-nos um pouco Indiana Jones, e isso não tem preço.

O que pode desiludir

➺ É longe. Muito longe. É preciso dedicar-lhe um dia inteiro, no mínimo, e idealmente dormir por perto na véspera. Não é de todo uma visita «de passagem».

➺ Os edifícios são menos espetaculares do que em Chichén Itzá ou Uxmal, se procuram monumentos restaurados e fotogénicos. Aqui, muitas estruturas continuam parcialmente cobertas pela vegetação. É precisamente isso que faz o encanto… ou a desilusão, conforme as expectativas.

➺ Faz calor, muita humidade e há mosquitos. Não é um passeio de domingo.

➺ O orçamento subiu bastante nos últimos anos (ver a secção dos preços mais abaixo).

Então, para quem?

Se têm apenas 10 dias no Yucatán e é a vossa primeira viagem ao México, sinceramente, Chichén Itzá + Uxmal + Tulum resolvem sem vos obrigar a 6 horas de estrada. Mas se têm tempo, gostam tanto de natureza como de pedras antigas e detestam multidões: vão sem hesitar. Nós não nos arrependemos de um único minuto, e é esta a memória que nos vem primeiro à cabeça quando pensamos nesta viagem.

Como chegar a Calakmul?

De carro alugado (o que fizemos)

É de longe a solução mais simples e flexível. Para esta viagem pelo Yucatán tínhamos um carro de aluguer. Chegámos de Bacalar ao fim do dia e saímos de Calakmul em direção a Campeche por volta das 17h30.

Alguns tempos de viagem para se situarem:

➺ De Bacalar: cerca de 2h30 – 3h
➺ De Campeche: cerca de 3h
➺ De Tulum: cerca de 5h
➺ De Mérida: cerca de 5h30 – 6h
➺ E, a partir do entroncamento da estrada 186, contem mais 1h30 até ao parque de estacionamento do sítio arqueológico.

/!\ Atenção, dois pontos mesmo importantes:

➺ Quase não há bombas de gasolina na zona. Atestem em Xpujil (ou antes) para ficarem descansados. Depois não há nada.

➺ Os pagamentos são só em dinheiro e não há multibanco depois de Xpujil. Levantem antes de partir, senão terão de voltar para trás — e acreditem, dói.

Tínhamos lido que a estrada Bacalar – Escárcega era perigosa, muito controlada pela polícia por estar perto da fronteira com a Guatemala, etc. Também é desaconselhado conduzir de noite no México, mas queríamos ganhar tempo e chegar a Campeche nessa mesma noite. Decidimos avançar apesar da hora tardia e correu tudo muito bem! Vimos bastantes controlos, é verdade, mas eram sobretudo militares a parar camiões.

Na altura pensámos «afinal está tudo normal», mas com a distância percebemos que tivemos sorte, ah ah! Três dias depois, éramos enganados em grande estilo pela polícia corrupta em Campeche! Conto isso no artigo dedicado à cidade, porque parece ser recorrente por lá!

De Tren Maya (a novidade!)

Desde a nossa viagem, o Tren Maya entrou em funcionamento e isso muda bastante a forma de chegar à região. Existe uma estação em Xpujil, ligada a Palenque, Campeche, Bacalar e Cancún, entre outras. Passou a ser uma opção real para chegar à zona sem carro.

Mas atenção à armadilha: existem duas estações com nome associado a Calakmul no mapa do comboio. Reservem obrigatoriamente a estação de Xpujil e nunca a chamada «Calakmul», que fica numa zona isolada, sem serviços nem táxis. Chegar lá sem transporte reservado é ficar preso a dezenas de quilómetros de tudo.

E não se esqueçam de que, uma vez em Xpujil, ainda faltam 110 km até às ruínas. Sem carro, terão obrigatoriamente de recorrer a um tour ou a um transporte privado a partir da aldeia. Os horários do comboio mudam com frequência, por isso confirmem no site oficial antes de montar o itinerário à volta disso.

Em excursão organizada

Se não têm viatura, é a solução mais confortável — e, francamente, a mais lógica dadas as distâncias. Podem, por exemplo, escolher uma excursão organizada a partir de Bacalar, que costuma incluir transporte, entradas e guia. É um dia longo, mas está tudo tratado.

Preços, horários e duração da visita

Quanto custa a entrada em Calakmul?

É o ponto que mais surpreende os visitantes: vão pagar três vezes, em três guaritas diferentes, geridas por três entidades diferentes.

➺ A guarita da aldeia de Conhuás (taxa comunitária)
➺ A guarita da reserva da biosfera (CONANP)
➺ A entrada do sítio arqueológico (INAH), já no fim dos 60 km

Em 2026, o INAH aumentou consideravelmente os preços e Calakmul passou para a categoria mais cara, ao lado de Teotihuacán, Tulum, Palenque ou Monte Albán. Contem cerca de 500 pesos por pessoa no total (cerca de 25 €), contra 250 pesos há poucos anos. Mais do que duplicou, portanto é melhor saberem antes de partir.

E repito, porque é mesmo isto que estraga um dia: paga-se tudo em dinheiro vivo. Sem cartão, sem multibanco, sem exceções.

💡 Os preços mudam com regularidade (muitas vezes a 1 de janeiro). Se forem lá, deixem-nos um comentário com os valores praticados no dia da vossa visita, que eu atualizo o artigo!

Quais são os horários de Calakmul?

É aqui que a coisa fica subtil: as três guaritas não têm os mesmos horários, e são elas que ditam o vosso dia, não o sítio em si.

➺ A entrada na reserva faz-se de manhã, com fecho das guaritas ao início da tarde. Chegar às 14h é arriscar fazer 100 km para nada.
➺ Existe também uma hora de saída obrigatória ao início da tarde: não dá para ficar no sítio até ao pôr do sol.

➺ O nosso conselho não mudou: partam de madrugada. Saindo de Xpujil por volta das 6h – 7h, ficam folgados. É o que toda a gente faz por lá, e por boas razões.

Como os horários exatos mudaram várias vezes nos últimos anos, confirmem na véspera junto do vosso alojamento: são eles que têm a informação mais fiável, acreditem.

Quanto tempo é preciso?

➺ No sítio: 4 a 5 horas para ver tudo e subir às pirâmides sem correr.
➺ No dia: um dia completo, do despertar às 5h até ao regresso ao fim da tarde. Não tentem encaixar mais nada a seguir (exceto a gruta dos morcegos, já lá vamos!).

Qual é a melhor altura para visitar Calakmul?

A estação seca, de dezembro a maio, é a mais confortável: menos chuva, menos lama na estrada, menos mosquitos. A época das chuvas (junho a novembro) deixa a selva mais verde e mais viva, mas os aguaceiros podem complicar o acesso. Nós fomos na estação seca e não apanhámos uma única gota!

O que ver no sítio de Calakmul?

No terreno há três estruturas que se destacam claramente:

➺ A Estrutura II, a mais imponente do sítio, com cerca de 45 metros de altura — uma das pirâmides mais altas de toda a civilização maia. É a vista que não podem perder.

➺ A Estrutura I, um pouco afastada, com uma vista igualmente incrível e muitas vezes sem ninguém lá em cima.

➺ A Estrutura VII, mais modesta mas muito bonita com a luz da manhã.

O resto são estruturas mais pequenas, praças, estelas… e muita coisa ainda engolida pela vegetação. Vale a pena ler os painéis explicativos espalhados pelo sítio, estão muito bem feitos.

É preciso guia para visitar Calakmul?

Resposta honesta: não, não é obrigatório no sítio arqueológico, que se visita muito bem de forma autónoma graças aos painéis explicativos. Fizemos a visita sem guia e nunca nos sentimos perdidos.

Mas se fosse hoje, levaríamos guia. Um guia conta-vos a história maia, as rivalidades com Tikal, o significado das estruturas… e, sobretudo, deteta os animais onde nós passámos ao lado sem ver nada. Foi mesmo nisso que sentimos a diferença em relação aos grupos acompanhados.

Convém saber também que a presença de um guia certificado é obrigatória para percorrer os trilhos de interpretação da reserva (El Tapir, El Ramonal e o «dormitório dos macacos», por volta do km 38). Se a observação de fauna vos interessa mesmo, é por aí que devem ir — e aí o guia não é opcional.

➺ E um guia que fale português? Sejamos claros: em Calakmul é praticamente impossível. A quase totalidade dos guias trabalha em espanhol e em inglês. O espanhol é bastante acessível para quem fala português, mas se preferirem garantir o idioma, reservem antecipadamente um tour guiado de Calakmul e confirmem a língua no momento da reserva.

✤✤✤

A nossa visita a Calakmul: o relato de um dia diferente

Para aproveitar o dia ao máximo, organizámo-nos para estar no parque o mais cedo possível. Convém saber que quanto mais cedo forem, maiores são as hipóteses de ver animais — e evitam o calor forte do meio do dia. Escolhemos por isso um alojamento mesmo ao lado da reserva, para lá estar logo à abertura.

Despertar (muito) matinal e estrada no escuro

Na véspera, o nosso anfitrião pergunta-nos a que horas queremos o pequeno-almoço: 5h30! Despertar às 5h, preparamo-nos à pressa, comemos e saímos do quarto. O nosso alojamento (falamos dele no fim do artigo) fica a poucos quilómetros da única estrada que leva à reserva, e está muito bem sinalizado.

Primeira «barreira», temos de pagar; a estrada até nem está má ao início… Numa segunda barreira voltamos a pagar e o piso começa a degradar-se. Passamos a andar a 30 km/h, porque além do mau estado convém estar atento a algum animal que apareça do nada.

Bom, acabo já com o suspense: não tivemos a sorte de ver a estrela do parque, a famosa onça-pintada… Mas cruzámo-nos com pavões e perdizes antes de chegar ao sítio… Como dizíamos, fomos de madrugada e, mesmo assim, fomos ultrapassados várias vezes, sobretudo por scooters… Sabendo que os veículos afugentam os animais, acho que deve ser quase impossível cruzar-se com animais grandes na estrada…

Chegámos ao parque de estacionamento da reserva por volta das 8h30 e pagámos desta vez o bilhete de entrada no sítio arqueológico. Fomos recebidos por um barulho estranho e o meu espírito de citadina fez-me pensar num martelo pneumático ou noutra ferramenta qualquer… Mas era um magnífico pica-pau mesmo por cima das nossas cabeças! Barrámo-nos de repelente e vamos a isto!

Passeio e subidas na reserva

Mal entrámos no sítio, decidimos seguir um dos percursos que levam diretamente às pirâmides principais. Como estávamos poucos, parecia boa estratégia… E então ouvimos uns rugidos brutais do outro lado do sítio… Demorámos algum tempo a perceber que eram macacos uivadores… Optámos por continuar o percurso a pensar que os veríamos mais tarde…

Deambulámos entre as ruínas, descobrimos as várias estruturas, lemos as explicações e rapidamente deixámos de seguir o traçado inicial… Depois demos de caras com as famosas pirâmides, que tratámos logo de subir! Não há palavras para descrever o que se sente lá em cima, diante daquela selva densa a perder de vista.

Eram por volta das 13h quando acabámos de explorar o sítio… Ficámos ali a demorar um bocado, para dar uma hipótese aos macacos uivadores… Mas nada. À saída cruzámo-nos com alguns macacos-aranha, que já tínhamos visto uns dias antes em Punta Laguna…

Os macacos uivadores, finalmente!

Estávamos tão desiludidos… E depois… Íamos já a caminho da saída quando… Grrrrrrr! Ouvimo-los outra vez!!! Ahhhhhhhhh!

Ainda me vejo a correr como doida para os ir ver… Havia dezenas e dezenas deles… Uauuuu! Ficámos como crianças! É mágico ver animais assim, ainda por cima no seu elemento natural… Baloiçam-se de ramo em ramo, «rugem» de um lado para o outro… Este momento vai ficar gravado para sempre na nossa memória, isso é certo!

Saímos da reserva de Calakmul com estrelas nos olhos… Custou-nos deixar os macacos uivadores, mas a estrada era longa e tínhamos outro «encontro marcado» antes de deixar a região! Encontrámos um restaurante que não parecia grande coisa na estrada principal e sentámo-nos à pressa. Devia ser 15h30.

A gruta dos morcegos, a não perder

Não muito longe da reserva existe uma gruta bastante especial… Todos os dias, por volta das 17h, milhares de morcegos saem dela numa revoada espetacular. Fala-se de vários milhões de indivíduos a viver lá dentro, e demoram duas a três horas a sair todos! O fenómeno só acontece, ao que parece, em pouquíssimos sítios do planeta — por isso não queríamos mesmo perder aquilo.

Como encontrá-la? Ao sair da reserva de Calakmul, sigam em direção a Bacalar e, por volta do km 106, há um caminho à esquerda. No nosso caso encontrámos logo, porque já havia carros estacionados no caminho. Há também uma placa de «atenção morcegos» no início da estrada que confirma que estão na zona certa!

Estacionámos e caminhámos 5 a 10 minutos por um trilho de terra até chegar a uma espécie de abismo, onde já estavam umas vinte pessoas. Arranjámos um cantinho e esperámos. Quando o sol começa a descer, saem uma a uma e depois são milhares de morcegos a esvoaçar por todo o lado! É completamente louco! As fotografias não fazem justiça nenhuma ao momento, é dificílimo fotografar estes bichinhos!

➺ A nossa dica: cheguem por volta das 16h30 para apanhar um bom lugar e levem uma lanterna de cabeça para o regresso, porque a noite cai muito depressa.

Depois deste dia cheio de emoções, seguimos estrada para Campeche, mas isso já é outra história…

Onde dormir perto de Calakmul?

➺ Passámos a noite em Conhuás, num alojamento chamado cabanas Calakmul: experiência insólita garantida! Uma cabana de madeira, um pouco básica, sem janelas, mas muito limpa e com o essencial: uma boa cama, rede mosquiteira, água quente e ainda um bom restaurante no local. Está sobretudo muito bem situado para visitar a reserva, e os donos são adoráveis. Recomendamos!

➺ Conhuás ou Xpujil? Conhuás é uma aldeia minúscula, mesmo no entroncamento da estrada que leva às ruínas: é a escolha de quem quer dormir mais um bocado, poupa-vos 45 minutos de estrada de manhã. Xpujil é maior, com mais alojamento, restaurantes, bombas de gasolina e multibanco. Se ficarem vários dias na região para encadear sítios arqueológicos, Xpujil é mais prático. Para uma noite antes de Calakmul, Conhuás ganha de longe.

Onde comer à volta de Calakmul?

➺ Para o jantar e o pequeno-almoço ficámos pelo restaurante do nosso alojamento. Conhuás é uma povoação muito pequena e, apesar de haver outros restaurantes, achámos bem mais prático. Além disso, como já disse acima, o dono sabe que a maioria das pessoas parte cedo para Calakmul e não há problema nenhum em tomar o pequeno-almoço de madrugada.

➺ Para a visita à reserva levámos sobretudo água e algumas palanquetas, uns snacks iucatecas para ir petiscando. (Podem descobri-los no nosso artigo sobre a cozinha mexicana.) Não há nada para comprar dentro do sítio, por isso levem água a mais!

➺ Também comemos qualquer coisa rápida num restaurante na estrada principal à saída da reserva. Por volta das 15h30 já não tinha grande coisa; estava bom, sem mais, e não consigo lembrar-me do nome… Desculpem!

O que fazer perto de Calakmul?

Se fazem todo este caminho, seria uma pena voltar logo para trás! A região, conhecida como rota Río Bec, está cheia de sítios maias quase desertos, todos acessíveis a partir da estrada 186:

➺ Becán — o meu preferido depois de Calakmul: uma cidade rodeada por um fosso, com torres e passagens abobadadas. Impressionante e quase sempre vazio.

➺ Chicanná — mais pequeno, mas com uma fachada extraordinária: a entrada do edifício II representa as fauces abertas do deus Itzamná. Uma das coisas mais bonitas da zona.

➺ Xpujil — mesmo ao lado da aldeia, com as suas três torres características. Visita curta (30 min), mas vale a paragem.

➺ Balamkú — conhecido pelo friso em estuque com reis, jaguares e criaturas fantásticas. Atenção: o acesso ao friso é limitado, informem-se no local.

➺ Hormiguero — de acesso mais difícil, mas esplêndido para quem quer mesmo sair dos circuitos habituais.

➺ E se continuarem viagem, Bacalar e a sua lagoa dos sete azuis ficam a cerca de 3h para leste, e a cidade de Campeche a 3h para oeste.

Na verdade, a região merece duas noites em vez de uma: um dia para Calakmul e outro para Becán + Chicanná + Xpujil. Gostávamos de ter sabido disto antes!

✤✤✤

Não nos arrependemos de um único minuto da estrada que fizemos para visitar a reserva de Calakmul! O sítio arqueológico é grandioso, a selva é densa e tivemos belíssimos encontros com a fauna! É claramente a memória que nos vem primeiro à cabeça quando pensamos na nossa road trip pelo Yucatán. Já tinham ouvido falar deste sítio? Estão indecisos quanto a fazer o desvio? Se tiverem dúvidas, deixem-nos um comentário, respondemos sempre (bom… às vezes com algum atraso, ah ah!).

 

Visitar Calakmul no México, guia completo

FAQ – Tudo sobre visitar Calakmul

FAQ – Tudo sobre visitar Calakmul
  1. Quanto custa a entrada em Calakmul em 2026?

    A entrada divide-se em três pagamentos distintos, feitos em três guaritas diferentes: o acesso à reserva da biosfera (CONANP), a taxa da comunidade de Conhuás e a entrada no sítio arqueológico (INAH). Contem cerca de 500 pesos por pessoa no total, ou seja aproximadamente 25 €, depois do aumento dos preços do INAH em 2026. O pagamento é feito no local, apenas em dinheiro, e não há multibanco depois de Xpujil.

  2. É possível visitar Calakmul sem tour organizado?

    Sim, é perfeitamente possível visitar Calakmul sem excursão organizada. A maioria dos viajantes vai de carro alugado a partir de Xpujil ou de Conhuás. A estrada é fácil mas longa: são 60 km de estrada estreita pela selva depois do entroncamento do km 97. Um tour continua a ser a melhor opção para quem não tem viatura, porque não existe transporte público até às ruínas.

  3. Qual é a melhor hora para visitar Calakmul?

    De manhã cedo, logo à abertura, sem hesitar. Está mais fresco, a luz é magnífica para fotografias e as hipóteses de observar animais são muito maiores. A tarde é muito quente e húmida, com bastante menos atividade animal, e de qualquer forma as guaritas fecham ao início da tarde.

  4. Quanto tempo demora a visita a Calakmul?

    Contem 4 a 5 horas no sítio para ver tudo sem pressas e um dia completo incluindo as deslocações. Se juntarem a gruta dos morcegos ao fim da tarde, o dia fica bem preenchido!

  5. É preciso guia para visitar Calakmul?

    O guia não é obrigatório no sítio arqueológico, que se visita facilmente de forma autónoma graças aos painéis explicativos. Nós fizemos a visita sem guia. Ainda assim, hoje escolheríamos um guia local: enriquece claramente a visita, explica a história maia e as rivalidades com Tikal e ajuda a detetar a fauna na selva. Nota: o guia certificado é obrigatório para percorrer os trilhos de interpretação da reserva.

  6. Qual é a melhor altura do ano para visitar Calakmul?

    A estação seca, de dezembro a maio, é a mais confortável: menos chuva, menos lama na estrada e menos mosquitos. A época das chuvas, de junho a novembro, deixa a selva mais verde e mais viva, mas os aguaceiros podem complicar o acesso à reserva.

  7. É possível ver uma onça-pintada em Calakmul?

    A reserva abriga de facto onças-pintadas, mas os avistamentos são extremamente raros: nós não vimos nenhuma, tal como a grande maioria dos visitantes. Já os macacos uivadores, os macacos-aranha, os tucanos, os perus ocelados e os quatis são bem mais fáceis de encontrar, sobretudo de manhã cedo.

  8. O que levar para visitar Calakmul?

    Muita água, porque não há nada para comprar no local, repelente de insetos, protetor solar, boné, bom calçado de caminhada, roupa leve mas que cubra a pele contra as picadas e, sobretudo, dinheiro vivo para pagar nas três guaritas. Levem também uma lanterna de cabeça se seguirem depois para a gruta dos morcegos.

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