A reserva de Sian Ka’an é um lugar sublime, onde se alternam floresta tropical, mangais e canais, em mil tons de azul e verde, com mamíferos e aves por todo o lado… Fica na costa leste da península do Yucatán, a uma vintena de quilómetros de Tulum. Para a descobrir, optámos por uma visita guiada, depois de lermos um relato fantástico no blog dos Best Jobers. A promessa de um dia bem passado com alguém apaixonado pelo que faz? Não hesitámos e contactámos logo a Martine para explorar Sian Ka’an!
➺ Todas as etapas desta viagem estão no nosso artigo de resumo: roteiro de road trip pelo Yucatán.

✤✤✤
Reserva de Sian Ka’an: o essencial em resumo
| 📌 Tema | 💡 A reter |
|---|---|
| Onde? | No estado de Quintana Roo, a cerca de vinte minutos a sul de Tulum, pela entrada de Muyil |
| O que se vê | Floresta tropical, ruínas maias de Muyil, canais, mangais, lagoas e praias selvagens |
| Fauna | Aves (colhereiros, cegonhas, garças…), crocodilos, manatins, raias… sem garantias! |
| Com guia | Dia inteiro com a Martine Dufour: 3300 pesos por pessoa, com entradas, barco e almoço incluídos (2026) |
| Sem guia | A partir de Muyil: cerca de 1100 pesos por pessoa (entradas e barco) |
| Duração | Um dia inteiro ou meio dia |
| Melhor época | De novembro a abril, na estação seca |
| A nossa opinião | Adorámos, sobretudo a flutuação no canal maia |
A reserva de Sian Ka’an
Trata-se de uma reserva da biosfera situada na Riviera Maya, a sul de Tulum, no estado de Quintana Roo. Classificada como Património Mundial da UNESCO desde 1987, estende-se por mais de 5000 km² de floresta tropical, pântanos, mangais, lagoas e recifes de coral. O seu nome maia significará “onde nasce o céu”… e, uma vez lá, percebe-se porquê! A reserva abriga mais de 300 espécies de aves, uma centena de espécies de mamíferos (entre os quais o jaguar, o puma e o manatim, todos bem discretos…) e uma enorme variedade de árvores e plantas.
O nosso dia começa com um passeio pela floresta, com passagem pelas ruínas de Muyil, segue-se uma parte “aquática” pelos mangais, com a flutuação no canal, e termina com um aperitivo na praia… A cereja no topo do bolo? As muitas pausas gulosas ao longo do dia!
O nosso dia na reserva
Encontramo-nos perto de um hotel em Tulum e seguimos de carro durante uns vinte minutos. Chegamos depois à entrada da reserva, em plena floresta. Os mosquitos são vorazes, mas estamos ansiosos por começar o dia!
A floresta tropical
Nesta primeira parte, caminhamos algumas horas com o nosso grupo no meio da selva, a observar a flora e na esperança de nos cruzarmos com alguns animais. A Martine apresenta-nos as diferentes espécies que podemos encontrar: mamíferos, aves e répteis, por isso temos de estar atentos! Primeira pausa gulosa, com uma palanqueta para petiscar. Subimos ao topo da torre de observação e a vista é simplesmente espetacular!




Durante este passeio de cerca de duas horas, ficamos a saber mais sobre as árvores e as espécies que aqui vivem. Eu até tenho a sorte de ver um guaxinim a passar quando entramos na reserva… Um pouco mais à frente, descobrimos a árvore da pastilha elástica, e a Martine explica-nos como a famosa pastilha nasceu aqui, no Yucatán… Há pouco tempo, uma associação decidiu voltar a produzi-la a partir da seiva da árvore, de forma biológica e com sabores naturais… A Martine trouxe algumas para provarmos, uma descoberta deliciosa!






As ruínas de Muyil
A visita leva-nos às ruínas de Muyil, um pequeno sítio maia dentro da reserva. As ruínas são numerosas e estão bem conservadas, e a construção principal é bastante impressionante! A Martine conta-nos um pouco sobre os maias, os seus costumes e construções, e até a forma como pagavam as coisas. Praticavam a troca direta, às vezes com sementes de cacau… Já estão a ver onde quero chegar?






Os canais e o mangal
Saímos depois da floresta e chegamos a uma pequena praia lindíssima, onde o nosso barco nos espera. Mas antes, é hora de almoçar uma especialidade mexicana: tamales!


Embarcamos depois para a parte de que mais gostámos… O barco entra num labirinto de canais ladeados de mangal, e a próxima atividade espera por nós… A flutuação! Sentamo-nos no colete salva-vidas e deixamo-nos levar pela corrente… Que momento mágico! Tanta calma, tanta tranquilidade, a água tão transparente, tudo tão sereno… Estamos a anos-luz do nosso dia a dia em Paris…



Os mangais de Sian Ka’an estão entre os mais bem preservados da península do Yucatán: ladeiam os canais e as lagoas ao longo de quilómetros e servem de berçário a muitos peixes, caranguejos e aves. Para conhecer outro mangal do Yucatán, siga para Rio Lagartos, no norte da península, e os seus flamingos cor-de-rosa!
A reserva tem também duas espécies de crocodilos, mas vivem um pouco mais longe dos canais… Tivemos a sorte de ver um ao longe, mas suficientemente perto para perceber que era bem grande!

Atravessamos depois as lagoas na esperança de ver… manatins! Tal como as baleias, sobem à superfície para respirar a intervalos regulares… A água é escura, por isso é preciso estar atento! Consegui ver a ponta do nariz de um, uma vez, mas foi rápido demais e o Alcino não teve tempo de o fotografar…


O passeio termina em Punta Allen, numa praia de sonho. Só estamos nós, alguns pescadores, aves e… o aperitivo! A Martine pensou em tudo: queijo e vinho mexicano, e brindamos todos a este dia maravilhoso.





Reserva de Sian Ka’an: informações práticas
Como ir de Tulum a Sian Ka’an?
➺ A reserva tem várias entradas. A mais simples a partir de Tulum é a de Muyil, a cerca de vinte minutos a sul pela estrada 307 (em direção a Felipe Carrillo Puerto): é lá que ficam as ruínas e o embarcadouro para os canais. De carro, há um pequeno estacionamento gratuito perto das ruínas. Sem carro, os colectivos e os autocarros Mayab que saem de Tulum em direção a sul podem deixá-lo mesmo à porta, basta avisar o motorista.
➺ A segunda entrada fica na costa, no fim da zona hoteleira de Tulum: uma longa estrada de terra atravessa a reserva até Boca Paila e depois até Punta Allen, a pequena aldeia de pescadores na ponta da península. Conte com várias horas de caminho, a estrada está muitas vezes em mau estado e não há bombas de gasolina nem multibancos por lá… Ateste o depósito e leve dinheiro!
Excursão a Sian Ka’an com guia
➺ Escolhemos explorar Sian Ka’an com a Martine Dufour, guia naturalista certificada que vive em Tulum desde 2011. Pode contactá-la através do site dela ou por email (martinedufour.excursions@hotmail.com): ela propõe excursões de acordo com o que quer ver e o tempo que tem disponível. A abordagem da Martine assenta num turismo solidário e ecológico, em pequenos grupos de 2 a 12 pessoas. E boa notícia: ela fala português!
➺ Quanto a preços, conte com 3300 pesos por pessoa para o dia inteiro (3100 pesos para crianças até aos 12 anos) e 2200 pesos para meio dia, com saída de Tulum às 8h30. O guia, as entradas, as deslocações dentro da reserva, o lanche, o almoço e a água estão incluídos. O transporte a partir de Tulum pode ser acrescentado por um suplemento se não tiver carro, e o pagamento é feito no próprio dia da excursão (preços de 2026).
➺ O percurso mudou um pouco desde a nossa visita: hoje, o dia começa na floresta e nos seus cenotes (incluindo um cenote em gruta), segue-se a flutuação no canal maia e a travessia das lagoas até à praia selvagem de Boca Paila. Em contrapartida, não há snorkeling no mar nem observação de golfinhos, não é esse o objetivo da excursão!
➺ Nós ficámos encantados por ter ido com a Martine: é uma pessoa apaixonada e apaixonante, e passámos mesmo um dia muito agradável com ela. Sentimo-nos uns privilegiados por estar ali… Ter um guia é ótimo para saber mais sobre as espécies animais e vegetais, mas também para ouvir algumas histórias, como a da pastilha elástica!
➺ Também visitámos a reserva de Punta Laguna por sugestão da Martine, com a sua colega Anna. Não deixe de ler o artigo dedicado.
Visitar Sian Ka’an sem guia
➺ É perfeitamente possível visitar a reserva sem guia privado, a partir das ruínas de Muyil. Paga a entrada do sítio arqueológico (cerca de 45 pesos) e depois a da reserva (cerca de 50 pesos), e segue o trilho pela floresta até à torre de observação e depois até aos embarcadouros, à beira da lagoa.
➺ Aí, os barcos da cooperativa local fazem o passeio pelas lagoas e canais, com a famosa flutuação, por cerca de 1000 pesos por pessoa (conte com 1h30 a 2h). As saídas são limitadas, por isso o ideal é chegar cedo, antes das 10h. No total, conte com cerca de 1100 pesos por pessoa… mas sem as explicações sobre a fauna e a flora, nem as pausas gulosas! Estes preços são indicativos (2026) e podem mudar.
Quando visitar Sian Ka’an?
➺ A melhor época para visitar a reserva é a estação seca, de novembro a abril: faz calor, mas há menos humidade, e os mosquitos são (um pouco) menos vorazes… De maio a outubro é a estação das chuvas, com aguaceiros muitas vezes curtos mas muito mais mosquitos, e risco de furacões no fim da estação, sobretudo em setembro e outubro.
O que levar para o dia?
💡 Dicas práticas
🦟 Repelente: indispensável, sobretudo na parte da floresta
🧴 Protetor solar: apenas biodegradável, para proteger as águas da reserva
👙 Fato de banho: para a flutuação no canal
💵 Pesos em dinheiro: para as entradas, o barco e as gorjetas, já que não há multibanco na reserva
👟 O que levar: calçado fechado para a floresta, chapéu, óculos de sol e muita água
Onde dormir e onde comer?
Ficámos em Tulum, que nos pareceu a base mais prática. Saímos para a excursão por volta das 9h e regressámos à cidade por volta das 18h30. Durante o dia, a Martine preparou muitos petiscos tipicamente mexicanos (para descobrir a cozinha mexicana, é por aqui), que foram mais do que suficientes. Para mais ideias em Tulum, veja o nosso artigo dedicado. Dormimos no boutique hotel Jabin, o hotel mais bonito de toda a nossa viagem pelo Yucatán!
E se continuar o road trip para sul, a lagoa de Bacalar fica a apenas cerca de duas horas de carro de Muyil.
✤✤✤
Adorámos este dia na reserva de Sian Ka’an. A Martine é adorável, apaixonante e cativante, nem a queríamos deixar! Se procura uma pausa na natureza, longe das praias de Cancún e de Playa del Carmen, não hesite em descer até Tulum para visitar a reserva.
FAQ
As perguntas frequentes estão aqui!
Como visitar a reserva de Sian Ka’an?
Pode visitar a reserva por conta própria, a partir das ruínas de Muyil, ou numa excursão com um guia naturalista a partir de Tulum. Nós escolhemos a segunda opção e não nos arrependemos nem por um segundo: passar um dia com alguém tão apaixonado e conhecedor do sítio é um verdadeiro privilégio. Para chegar a todos os recantos, vai precisar sempre de um barco, sobretudo para os sítios mais isolados, como Boca Paila ou Punta Allen.
É possível visitar Sian Ka’an sem guia?
Sim! A partir das ruínas de Muyil, paga a entrada do sítio arqueológico (cerca de 45 pesos) e a da reserva (cerca de 50 pesos) e segue o trilho até aos embarcadouros. Aí, os barcos da cooperativa local fazem o passeio pelas lagoas e canais por cerca de 1000 pesos por pessoa (preços de 2026).
Quanto custa uma excursão a Sian Ka’an?
Com a Martine Dufour, conte com 3300 pesos por pessoa para o dia inteiro e 2200 pesos para meio dia, com guia, entradas, barco e almoço incluídos (preços de 2026). Por conta própria a partir de Muyil, conte com cerca de 1100 pesos por pessoa.
Como ir de Tulum a Sian Ka’an?
A entrada de Muyil fica a cerca de vinte minutos a sul de Tulum pela estrada 307, de carro ou de colectivo. Também se pode entrar na reserva pela costa, no fim da zona hoteleira de Tulum, por uma longa estrada de terra que vai até Punta Allen.
Qual é a melhor época para visitar Sian Ka’an?
A melhor época é entre novembro e abril, durante a estação seca. De maio a outubro é a estação das chuvas: há muito mais mosquitos e o fim da estação pode trazer furacões.
Pode-se tomar banho em Sian Ka’an?
Sim, e é até um dos melhores momentos do dia: a flutuação no canal maia, em que nos deixamos levar pela corrente com o colete salva-vidas. As praias selvagens de Boca Paila e de Punta Allen também permitem um mergulho no mar das Caraíbas.
Vale a pena visitar Sian Ka’an?
Se depois de tudo isto ainda tem dúvidas… A resposta é sim! A fauna, a flora, as paisagens incríveis, a história, a experiência em si… Visitar a reserva vale mesmo a pena!

